Café no Vale?

Já há algum tempo o Vale do Café vem apostando no Turismo de Experiência, uma modalidade do turismo que tem como referência as teorias defendidas por Rolf Jensen, Joseph Pine e James Gilmore, que destacam que o turista não quer mais ser um sujeito meramente contemplativo, mas sim o ator de sua própria experiência. O turista quer  chegar o mais perto possível da atmosfera e da  “realidade” histórica do objeto de sua visitação. Não é bem uma novidade. Mas vem sendo tratado com mais seriedade pela indústria do turismo nos últimos anos.

Quando se visita por exemplo a Serra Gaúcha no Rio Grande do Sul o que há de mais comum são as visitações nas vinícolas para que o turista possa não só conhecer o processo de produção dos vinhos e sucos como degustar e experimentar os diversos tipos de vinhos e outros produtos do local. O Vale do Café percebeu a importância disso, e entendeu que pode oferecer aos turistas uma experiência muito mais rica.

Algumas ações e iniciativas importantes vêm sendo tomadas nesse sentido como a criação do Tour da Experiência – Caminhos do Brasil Imperial, projeto certificado pelo Sebrae, do qual fazem parte 18 estabelecimentos turísticos entre fazendas, hotéis, restaurantes e demais estabelecimentos localizados nos municípios de Barra do Piraí, Rio das Flores, Valença, Piraí,  e Vassouras. O projeto oferece roteiros que revisitam o período do Brasil Império com base nos conceitos do turismo da experiência.

Outra ação para colaborar na criação dessa atmosfera propícia está sendo desenvolvida com  a reintrodução do plantio do café no Vale, principalmente o café especial, artesanal, em pequena escala.

Para esse projeto piloto, o Sebrae/RJ contratou o professor Flávio Borém da Universidade Federal de Lavras (MG). O projeto envolve cinco propriedades: a Fazenda Aliança (Barra do Piraí), a Fazenda Taquara (Barra do Piraí), a Fazenda União (Rio das Flores), a Fazenda Florença (Valença) e o Hotel Fazenda St. Robert (Piraí). O projeto propõe oferecer ao turista a oportunidade de vivenciar a produção de café  passando pelo plantio onde poderá caminhar entre um “jardim” de variedades e conhecer um pouco da historia de cada uma, passar pelo beneficiamento, pela torrefação e terminar numa agradável cafeteria gourmet, onde poderá degustar o café produzido nas fazendas e comprar o café com a marca da fazenda, carregadas de historia e tradição.

O Brasil era o café, e o café era o Vale do Paraíba

No século XIX, algumas cidades do Vale do Paraíba Fluminense foram em conjunto, responsáveis pela maior parte da produção nacional de café quando este item era o principal produto de exportação do país e garantia uma fatia considerável do PIB brasileiro. Em 1838, o café representava sozinho mais da metade das exportações brasileiras. Uma frase que ficou comum nesse período dava conta que “o Brasil é o café. E o café é o Vale”.

O legado deste período é grandioso. Um patrimônio cultural material representado pelas antigas fazendas de café espalhadas por toda a região, por casarões, palácios e palacetes suntuosos remanescentes deste período nas principais cidades do Vale e um patrimônio cultural imaterial também muito rico representado pelos Jongos/Caxambus, pela Capoeira, pelo Calango, pelas Folias de Reis e outras manifestações. Por outra lado legou também a quase completa devastação da mata atlântica na região e um passado triste de escravidão. O declínio da economia cafeeira começou na segunda metade do século XIX. E o Vale declinou junto.

MAS E O CAFÉ?

Nenhuma antiga fazenda de café do Vale planta hoje o produto em grande escala. A maioria delas vive do turismo ou de outros produtos agropecuários. Mas o Brasil continua sendo o maior produtor e exportador mundial de café, e é ainda o segundo maior consumidor. Segundo o Ministério da Agricultura, de janeiro a dezembro de 2015, o café representou 7% das exportações do agronegócio brasileiro, ocupando a 5ª posição no ranking com receita de US$ 6,16 bilhões, o equivalente a 37,1 milhões de sacas de 60kg. Os principais destinos foram os Estados Unidos, Alemanha, Itália, Japão e Bélgica.

Café especial para o turista ver e degustar

Um projeto piloto do Sebrae/RJ objetiva o plantio de café especial no Vale em pequena escala. Um diagnóstico prévio selecionou 05 propriedades para o início do projeto. A Fazenda Alliança (Estrada Valença/Barra do Piraí); a Fazenda Florença (Conservatória); o Hotel Fazenda Saint Robert (Piraí); a Fazenda Taquara (Barra do Piraí) e; o Hotel Fazenda União (Rio das Flores).

Coordenado pelo Sebrae/RJ,  com a consultoria técnica do professor Flávio Borém e equipe da Universidade de Lavras (MG), o projeto foi elaborado especificamente para o Vale do Café, respeitando e potencializando a singularidade de cada propriedade. Cada empresário recebeu individualmente, com explicação detalhada de cada etapa, um book contendo os projetos contemplando todas as fases de implantação, desde o plantio até a torrefação, incluindo um estudo de viabilidade econômica. Os projetos encontram-se na fase inicial de execução. Os empresários já adquiriram as mudas de café e estão seguindo o Calendário de Atividades Agrícolas, a serem desenvolvidas em 2016 para o plantio previsto para dezembro de 2016 e janeiro de 2017.

Dr. Flávio Borém

Flávio Meira Borém – Professor do Departamento de Engenharia da Universidade Federal de Lavras (DEG/UFLA), é o primeiro e único membro brasileiro convidado a participar como integrante do Comitê de Normas Técnicas da Associação Americana de Cafés Especiais – SCAA, o que representa o reconhecimento internacional de Borém como um dos pesquisadores mais conceituados na área de cafés especiais, reforçando sua contribuição nas respostas científicas que sustentam a produção de cafés de qualidade diferenciada.

Mais informações:

SEBRAE/RJ (Volta Redonda)
(24) 3347-3481


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