Dossiê do Patrimônio Cultural : Palacete Barão de Itambé

 

Importante exemplar do patrimônio cultural do Vale do Café, o Palacete Barão de Itambé foi construído no final da década de 30 do século XIX por Joaquim José Botelho. Pouco se sabe
sobre a história do responsável pela construção e tampouco os motivos pelos quais vendeu o solar, que foi adquirido em 1859 por Francisco José Teixeira, o Barão de Itambé, pai do Barão de Vassouras e avô de Eufrásia Teixeira Leite, mulher que ficaria marcada na história vassourense.
Situado na Rua Barão do Tinguá, nº 03, bem no centro histórico da cidade, em área de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o prédio foi adquirido pela Fundação Educacional Severino Sombra (Fusve) em 1997 em estado precário e reformado ao longo dos anos. Sob o comando do Sr. Antônio Bahia, dedicado e experiente mestre de obras com talento especial para o trabalho com madeiras, a obra progrediu bastante, mas ainda não foi totalmente concluída.
A administração municipal de Vassouras iniciou a partir de 2014 as tratativas para utilização do prédio como equipamento cultural público, sede de algum órgão ligado à cultura ou ao turismo, mas as negociações com a Fusve não foram à frente. Já no início do ano de 2017, o governo Severino Dias avançou nas negociações e conseguiu que fosse instalada ali temporariamente a Casa de Cultura, a Biblioteca Municipal Maurício de Lacerda e o Espaço do Educador, ainda em fase de organização para abertura ao público. Para o Secretário de Cultura
de Vassouras, José Alencar Gomes, o espaço tem grande relevância histórica para o município. Segundo ele, o objetivo da Prefeitura é aproximar a comunidade do espaço através de atividades de preservação da memória e da identidade, criando oportunidades de vivências e possibilidades para todas as faixas etárias. “Será um local interativo de manifestações culturais, capacitações de profissionais da educação, oficinas, reuniões, exposições, bem como referência para leitura e pesquisa”, disse José Alencar.

Algumas características dão contornos interessantes ao palacete. Um grande salão com paredes cobertas por pinturas murais feitas pelo artista espanhol José Maria Villarongo, por exemplo, não tem paralelo. É o único caso na área urbana – talvez, em toda a região. Há
pinturas do mesmo autor também na Fazenda do Paraízo, Rio das Flores, e na Fazenda do Bananal.

No Dicionário Histórico do Vale do Paraíba Fluminense, o professor Olínio Coelho faz uma descrição minuciosa das características arquitetônicas marcantes da suntosa construção. O prédio, segundo ele, possui algumas características da arquitetura neoclássica implantada no Brasil pela missão francesa de 1816. Segundo Augusto da Silva Telles, um dos responsáveis pelo tombamento do centro histórico de Vassouras, em seu estudo da construção residencial urbana em Vassouras, publicado na Revista do IPHAN (nº16/1968), os cômodos de serviço e senzalas normalmente ficavam em construções isoladas. No caso do Itambé, os cômodos de serviço se localizam no corpo perpendicular à rua, em continuação à sala de jantar. A senzala ficava no porão, que, por causa do desnível do terreno, existe nos fundos casa. Telles anota ainda que o solar possui “A mais bem proporcionada entre as salas de visitas vassourenses (…) possuindo ela, belíssimo autêntico e delicado forro de estuque”.
O prédio sofreu ao longo dos anos as marcas de diversas intervenções. Uma parte importante das pinturas murais está se degradando, com alguns dos painéis se perdendo no tempo. A Prefeitura assumiu o compromisso de, pelo menos, manter o que existe ainda das pinturas.
A previsão de conclusão da manutenção, limpeza e organização do acervo literário é o mês de junho, quando será realizada a abertura e a divulgação do calendário de atividades.

 

Fotos: Marcelo Maracajá Gonçalves

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