Fazenda União: história do século XIX, lazer do século XXI

Fazenda União: história do século XIX, lazer do século XXI

Do alto da estrada já se avista a bela construção do século XIX.  Em tons de rosa, branco e verde ela surge imponente e convidativa. Assim é a Fazenda União, situada na cidade de Rio das Flores, na região do Vale do Café. Próximo à carruagem, em um jardim imenso e encantador, quem recebe a Revista Vale do Café é a personagem da própria Dona Luizinha, como é conhecida Luíza Vieira da Cunha Fraga, uma das figuras mais importantes da história do local, interpretada pela guia de turismo Samantta de Souza, belamente trajada com um vestido e adornos do século XIX, que logo começa a contar como a construção surgiu e as histórias por trás dela. Tudo o que se vê, tanto na parte externa quanto na parte interna da casa tem uma história a ser contada, o ambiente exala o século XIX e convida o visitante a querer saber muito mais. “As pedras que servem de ponte para passarmos sobre os espelhos d´água da casa vieram provavelmente  de terreiros de secagem do café no século XIX”, revela Samantta, convidando para conhecer a casa por dentro.

Lá, o olhar se perde em meio à tantos objetos de decoração. Alguns não se encontram mais à venda nos dias de hoje como uma caixa de música, francesa, de 1816, que toca 10 melodias e produz um som doce e suave. “Além dessa raridade temos também diversas pinhas pela casa, e também no início e fim do corrimão das escadas pois as pessoas daquela época acreditavam que esse objeto traria prosperidade. Pode-se ver também descansos de talheres com o rosto de Dom Pedro II, esculpidas, uma série original feita pela realeza para comemorar seus 3 anos de idade, além disso há também uma licoreira que representa o busto do Imperador cuja tampa é a coroa e faz parte de um aparelho completo de licor oriundo da família real”, afirma a guia.

Além desses objetos, muitos outros que caíram em desuso podem ser vistos nessa “casa-museu”: espevitadeiras para apagar as velas, xícaras bigodeiras de origem inglesa, berço europeu em madeira para apresentação dos bebês à sociedade e louças originais do Visconde do Rio Preto, que foram encontradas pelo atual Dono da Fazenda, o engenheiro Mário Fernandes Vasconcellos, descobertas na casa de um parente distante do Visconde, na cidade de Vassouras – RJ. “Comentaram comigo que havia um tetraneto do Visconde morando em Vassouras e fui visita-lo. O questionei sobre ter algum objeto pessoal ou algo da família do tetravô. Ele me mostrou um quartinho, que denominou de ‘alojamento de quinquilharias’ e disse que estavam ocupando espaço e que eu podia vasculhar. Foi quando encontrei as louças!”, revela Mário. Durante a visitação, o turista vai se maravilhar com as curiosidades do local, dos costumes da época e com salas que abrigam diversas coleções como a sala dos pratos brasonados, coroados ou monogramados, que abriga a 3ª maior coleção com peças das mais importantes famílias e barões da época. A fazenda atualmente funciona como um hotel e oferece hospedagens em suítes e apartamentos dispostos ao longo de seu amplo espaço.

Há suítes inclusive dentro do casarão, levando o hóspede a vivenciar uma experiência que o aproxima da atmosfera do século XIX. Segundo Mário, esse é um grande diferencial para atrair os turistas. O hotel integra o seleto grupo de 55 estabelecimentos brasileiros que compõem o Roteiros de Charme, uma certificação para os meios de hospedagem que empregam práticas sustentáveis e estão em sintonia com o destino onde estão inseridos, com grande atenção ao meio ambiente, ao patrimônio histórico e cultural, e o bem estar da comunidade local. E faz parte também do Tour da Experiência – Caminhos do Brasil Imperial, projeto que envolve além das fazendas históricas, os hotéis, pousadas, restaurantes e lojas nos municípios de Barra do Piraí, Piraí, Rio das Flores, Valença e Vassouras.

 

Foto: Juliana Henriques

Serviço:

Central de Reservas para visitação: 

Segunda a Sexta – 9h às 18hs

Sábado e Feriados – 9h às 16hs

Tel: (24) 2491-1044 | 2491-2685

Central de Reservas para Hospedagem:

Tel: (24) 2458-1701

reservas@fazendauniao.com.br

Endereço:

Endereço: Estrada do Abarracamento (RJ – 135) Km 25

Abarracamento – Rio das Flores – RJ

Visitação guiada:

Aos Sábados

10:00hrs e 11:00hrs

Valor por pessoa com almoço incluso: R$100,00

Sarau Afro:

Aos sábados

Às 19:30

Valor por pessoa com jantar incluso: R$100,00       

 

A história da Fazenda: 

A Fazenda União inicialmente era uma sesmaria adquirida em 1802 por José Laureano do Amaral, que por 11 anos ali nada fez, nada produziu, assim como seu segundo dono, João Pereira Nunes. Em 1814, o Capitão Bernardo Vieira e sua esposa, Dona Escolástica Maria de Jesus, compraram estas terras sem produção alguma e inexploradas. O casal então deu o nome de Fazenda do Paraíso à propriedade recém – adquirida.

Com o falecimento do Capitão Bernardo Vieira, em 1838, as terras da Sesmaria foram dividas em sete partes, dando origem às Fazendas União, Esperança, Sapucaia, São Luís, São Policarpo, Divisa e Sossego. Desta partilha de bens entre herdeiros, coube a José Vieira Machado (um dos filhos) e sua esposa, Dona Lina Laudegária Vieira e Souza, a Fazenda União..

Somente em 1836 ela é de fato considerada uma fazenda. Dentre os diversos donos que a propriedade obteve temos dois que se destacam: Domingos Custódio Guimarães, Barão e mais tarde, Visconde do Rio Preto e Dr. Camilo da Fraga, médico.

Samantta, a guia da visitação, explica que “Vindo de Carrancas, nas proximidades de São João Del Rey, em Minas Gerais, Domingos Custódio se encanta com a região e compra 9 fazendas, produz café em todas e dentre elas escolhe a Fazenda Paraíso, para residir com a esposa Maria das Dores e herdeiros: Domingos Filho e Maria Amélia”, conta.

A esposa do Visconde do Rio Preto falece 5 anos após perder o marido, e é quando o filho toma as rédeas da fazenda e resolve vender as três propriedades que ele herda como dote de casamento, sendo a fazenda União para o Dr. Camilo da Fraga, médico da Marquesa de Baependi, muito renomado na localidade. Dr. Camilo muda-se então para a fazenda em meados de 1874 com sua esposa Dona Luíza Fraga, carinhosamente chamada de Dona Luizinha.

Em 1888 Dr. Camilo falece e Dona Luizinha permanece até 1918 na propriedade juntamente com 25 escravos, quando então a vende para um padre da região e leva consigo os 25 escravos e os aloja em lotes da família, dando abrigo e meios para seu sustento.

Em 1989 a propriedade passa a ser do arquiteto João Reis que a reforma em 1992. Dezesseis anos depois ele a vende para o atual dono, Mário Fernandes Vasconcellos, em 2008.  “Eu estava indo visitar uma fazenda em Campos Elíseos, acabei ficando preso em Rio das Flores por conta de um temporal. Busquei um lugar para ficar e achei a Fazenda União. E foi durante uma conversa com os donos que fiquei sabendo que queriam vender, e foi assim que acabamos fechando negócio”, conta Mário, confessando que não tinha intenção de manter a fazenda como meio de hospedagem para terceiros.  “Eu não tinha muita noção do que fazer com todo aquele espaço e achava até estranho manter o hotel e morar ao mesmo tempo. Mas hoje confesso que gosto da movimentação e de conversar com os hóspedes. Além disso, encontrei um espaço para minhas coleções”. Mário é um grande colecionador de peças do 1º e 2º império e tenta agregar tudo o que adquire ao ambiente da casa, para que ela não perca as características originais e fique cada vez mais com aspecto de um museu.

 

Porque você deve visitar e se Hospedar na Fazenda União:

Além dos atrativos que o setor de hospedagem oferece como piscina, sauna, piscina aquecida, mini golfe, passeio de bugre, de jeep, brinquedoteca, salão de jogos, bar, massagem, salão de cabelereiro, museu de arte sacra, arborismo, caminhada ecológica, quadras, plantações de café para visitação e passeio de charrete, a fazenda também dispõe de atrativos como: festa junina, com quadrilha, barracas e comidas típicas sempre nos finais de semana de junho e julho, Sarau Afro com a participação de grupos da região,  com danças e encenações todos os finais de semana.  A gastronomia conta com o diferencial do delicioso e exclusivo pudim de café.

Preocupação com meio ambiente, sustentabilidade e formação profissional:

De acordo com Selma Rodrigues, sócia de Mário Vasconcellos, todas as construções dentro da fazenda utilizam material de demolição. “A construção antes da gestão do Mário contava com 10 quartos. Após nossa entrada foram construídas mais 18 unidades habitacionais e em todas reutilizamos madeira, que chamamos de madeira de demolição. É uma forma de reaproveitar o que se tinha sem gerar mais lixo para o meio ambiente”, afirmou Selma.

Além disso, segundo Selma, toda a água utilizada na Fazenda vem de nascentes que ficam dentro da propriedade, e após ser utilizada passa por um sistema de tratamento que a devolve limpa ao meio ambiente.

“Nossos garçons recebem treinamento aqui dentro da fazenda. Damos curso profissionalizante à todos e os moldamos de acordo com os padrões de qualidade que acreditamos ser o melhor e ideal para servir nossos hóspedes e visitantes!”, finalizou.

Jerônimo Magalhães, o artista da Fazenda União e do Vale do Café:

Uma capela construída em 2010 com todas as características do século XIX, de forma impecável. Um museu, dentro da senzala com esculturas de escravos em resina, fibra de vidro e acrílico que levaram cerca de 2 anos para serem finalizados. Tudo isso através das mãos talentosas de Jerônimo Magalhães, o artista que cria e restaura a arte que a Fazenda possui.

Autodidata, o escultor de Barra do Piraí – RJ, que hoje reside em Valença – RJ, começou a trabalhar na fazenda há 17 anos e conta como interviu nas pinturas que a casa possui na parede e também em outros ambientes sem descaracterizá-la. “Enquanto mexíamos nas paredes, aos poucos fomos descobrindo algumas pinturas, e assim, pude notar seus detalhes e criar em cima disso em outros cômodos, para que não destoasse muito e tivesse além de harmonia também a preservação das características originais da casa! Queríamos fazer o novo dentro do contexto histórico do casarão”.

Toda a arte da Capela de São José de Botas, que está com 6 anos de construída e é situada dentro da fazenda, como pinturas, telas, detalhes das paredes e adornos, são obras de Jerônimo. E o mais surpreendente nos aguarda dentro do museu do escravo, que fica na senzala original e preservada dentro da propriedade. “Me pediram para esculpir algumas imagens de escravos, mas eu nunca tinha feito. Comecei fazendo alguns testes, aprendendo com meus erros mesmo, fazendo, refazendo, até que eu cheguei ao material ideal e as esculturas começaram a sair, e resultou no que vocês podem ver lá!”, revelou Jerônimo que hoje trabalha produzindo esculturas em silicone para chegar mais próximo do hiper realismo.


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