O Sertão Prohibido do Rio Preto

O Sertão Prohibido do Rio Preto, fotos Igor Alecsander.

Há algumas semanas fui convidado para um recorrido fotográfico no “Sertão Prohibido do Rio Preto” na missão de retratar a região Rio Preto (MG) em apenas uma tarde para o livro “Descoberto da Mantiqueira, o Sertão Prohibido do Rio Preto” na companhia do autor Rodrigo Magalhães.

Foi uma viagem ao passado, carregada de curiosidades e cenários incríveis, como  as “Ruínas da Casa de Pedra” em Rio Preto MG, possivelmente “Forte Bandeirantes” – a construção mais antiga de toda a região, erguida no final do século 17.

Adquira o livro no site da Interagir Editora.

Imagens e histórias do “Sertão Prohibido do Rio Preto”

O rio Preto

O rio Preto marca a divisa natural entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais.  Nasce na serra da Mantiqueira, no município de Bocaina de Minas, próximo ao pico das Agulhas Negras, e tem sua foz no rio Paraibuna.

E apesar do rio Preto percorrer muitas localidades em seus quase 200 Km de extensão, coube à cidade de Rio Preto, MG receber o seu nome, principalmente devido a sua antiguidade. Situada em região estratégica, na divisa de MG e RJ, entre os Caminhos Novo e Velho, ainda no século XVIII a Coroa Portuguesa mandou construir em seu território uma Fortaleza Militar (1755), uma Praça de Execução (1755) e um Presídio (1780) para coibir o intenso contrabando do ouro que por ali passava, por ser o caminho mais curto, vindo da região aurífera de MG em direção ao Rio de Janeiro.

 

Igreja Nosso Senhor dos Passos

Inaugurada em 1860, foi construida pela Viscondessa do Monte, proprietária da Fazenda Santa Clara. O construtor contratado para a obra foi o arquiteto catalão Vilaronga. É o principal símbolo de riqueza de Rio Preto à época, principalmente por seu tamanho e pela abundância de trabalho em cantaria presentes em todo o embasamento, cunhais, colunas internas, púlpitos, soleiras, escadas e cercaduras de portas e janelas.

Porto dos Índios

Após o início da catequese e civilização dos coroados em 1789, a maioria dos indígenas se recusou em ser aldeados em outro local, e da famosa “Aldêa das Cobras” (Pentagna) fugiram, dando origem a outras pequenas aldeias no Vale do Rio Preto. Uma das maiores era Aldeia que ficava na atual localidade de Aberto Furtado, e ocupava ambas as margens do rio Preto. Com o passar dos anos nesse exato local, na margem mineira do rio Preto, surgiu o Povoado que até os dias atuais é chamado de Porto dos Índios, pertencente ao município de Rio Preto, MG.

“Ruínas de Rio Preto”, Forte Bandeirantes

Nas proximidades do Povoado de Santo Antônio das Varejas, na zona rural do municipio de Rio Preto-MG, há ruínas de uma casa toda de pedra que pode ter sido construída pelos bandeirantes paulistas que passaram pela região ainda no século XVII. Nesse Forte, que teria servido de abrigo aos Bandeirantes contra o ataque dos indios que habitavam o Sertão do Rio Preto, em 1755 estabeleceu-se uma Base Militar por Ordem do Rei de Portugal, a fim de fiscalizar e coibir o intenso contrabando do ouro que por ali passava, sendo que a passagem do Rio Preto era uma das principais rotas que saía da região mineradora de Minas com destino ao Rio de Janeiro.

Fazenda São José

Construída nas primeiras décadas do século XIX por José Gomes de Oliveira Lima, o Barão de São José, a majestosa casa sede e senzala da Fazenda São José é a maior do atual municipio de Rio Preto-MG. Em 1880, José Antônio de Souza Lima – o Barão de Souza Lima, amigo pessoal de D. Pedro II, que foi governador de Pernambuco e do Rio Grande do Sul, adquire a Fazenda São José e promove nela uma série de benfeitorias e melhoramentos que a tornaram uma das mais suntuosas e belas fazendas do Vale do Rio Preto.

Rio Preto e a “Rua Larga”

A Rua Dr Esperidiao é o logradouro mais famoso da cidade de Rio Preto, MG. Trata-se de uma rua setecentista, que possivelmente foi percorrida por Tiradentes em 1781, quando o então Alferes Joaquim José da Silva Xavier, Comandante do Destacamento do Caminho Novo, foi encarregado de vigiar as margens do rio Preto. Em 1819 o naturalista francês Saint-Hilaire passou por essa rua e observou que a mesma já muito larga para uma cidade do século XVIII, como Rio Preto. Foi dessa forma que esse logradouro recebeu o nome popular pelo qual até os dias atuais é conhecida – Rua Larga.

Sobre o livro

“Esta é a história do Descoberto da Mantiqueira, uma importante região do Sudeste brasileiro. Ela abarcava 11 municípios em seu vasto território. Oito no estado de Minas Gerais, sendo cinco totalmente abrangidos (Rio Preto, Bom Jardim de Minas, Santa Rita de Jacutinga, Olaria e Santa Bárbara do Monte Verde) e outros três parcialmente (Juiz de Fora, Lima Duarte e Belmiro Braga). Englobava também parte considerável dos territórios limítrofes dos atuais municípios fluminenses de Valença, Rio das Flores e Paraíba do Sul. Por ter sido ponto estratégico, divisa desde os tempos imemoriais desses dois estados, para ali eram atraídos os olhares dos governadores. Com uma pesquisa minuciosa, este livro resgata os primórdios de todos os lugarejos, povoados e vilas dessa zona até então silenciosa da historiografia nacional. Por meio de uma linguagem envolvente, serão abordados temas como a questão indígena, a corrida do ouro, a escravidão, a Inconfidência Mineira e a concessão de terras para a aristocracia rural. Retroage para os tempos mais remotos desse vasto território, resgatando a origem de cada uma dessas cidades, com suas lendas e seus causos. Refaz a trajetória dos desbravadores e dos primeiros sesmeiros que contribuíram para a formação dos incipientes povoados; suas batalhas com os índios que habitavam essa região, o garimpo, os quilombos, os cafezais etc. Biografa cada um dos 24 moradores e/ou proprietários de terras que foram agraciados com impressionantes 35 títulos de nobreza nessa região. São muitas histórias, lugares, personagens e vidas que se encontram desde o início do século XVIII, quando da formação dessa região. Enfim, é a história de uma região conhecida por poucos, mas cujos detalhes ignorados ao longo do tempo agora serão descortinados por esta obra, uma verdadeira descoberta histórica! “

Fotos © Igor Alecsander.
Textos com a colaboração de Rodrigo Magalhães.

Adquira o livro no site da Interagir Editora, ou se preferir compre diretamente em uma das unidades da Cia. do Livro.


Anúncios Revista Vale do Café

One Comment

  1. Imagens lindas de um lugar apaixonante. Muito interessante o resgate histórico feito pelo autor do livro. Eu quero!

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*