RESENHA: Do Samba ao Funk do Jorjão

Por José Luiz Júnior

Ninguém diria que um 9.5 dado por Spirito Santo à Estação Primeira de Mangueira em 1997 no quesito “Bateria” quando foi jurado da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIESA) daria origem a um verdadeiro tratado científico sobre o samba. Ninguém, com exceção daqueles que conhecem Spirito Santo, batizado Antônio José do Espírito Santo. Pois quem conhece a fera, sabe que Spirito é PhD em samba, em música, em história da África, história do negro no Brasil e um pouco além.

Esse tratado pode ser encontrado em seu livro Do Samba ao Funk do Jorjão, agora na segunda edição, lançado em parceria com o Sesc. Com bagagem suficiente já em 1997 para sustentar sua nota, Spirito evoluiu, pesquisou mais, aprendeu mais e enfim resolveu sistematizar sua defesa. E mais que uma simples defesa de um ponto de vista, ou de uma percepção apenas subjetiva, o autor mergulhou profundamente nas raízes, nos primórdios e na epistemologia do samba para nos dar uma verdadeira aula sobre a contribuição do negro na construção da cultura brasileira. “Gato escaldado, levei por escrito a minha fala, quase um auto de defesa (…) Assim que as vaias da galera da Mangueira arrefeceram (…) reproduzi o argumento que havia escrito na súmula da Liga, na cabine de julgador do desfile de 1997, onde o meu mais consciente e simbólico 10 foi para a bateria da Viradouro, sua “paradinha” “Funk” e seu Mestre Jorjão. Aquele auto de defesa acabou virando o embrião deste livro”, conta Spírito no início do livro.

O nome completo da obra poderia por si só ser o título de um samba enredo: “Do Samba ao Funk do Jorjão – Ritmos, mitos e ledos enganos no enredo de um samba chamado Brasil”. E com um enredo desses, qualquer escola seria campeã!
Tive o privilégio de ter acesso a uma parte do material antes mesmo dele ser publicado em formato digital ou impresso. E já era uma fonte inesgotável de história da África e do Brasil. O livro agora está em sua segunda edição, revista e ampliada. Mais completo.

Um dos maiores historiadores brasileiros, Flávio Gomes, que escreve na contracapa do livro, apresenta Spírito Santo como um dos mais criativos pesquisadores da cultura brasileira, especificamente “aquela da diáspora e suas dimensões crioulas”.
Do Samba ao Funk do Jorjão é definitivamente uma obra que precisa ser lida para melhor compreensão do Brasil. Encontrado em algumas livrarias do Rio de Janeiro e na internet, o livro foi chegando aos poucos ao Vale do Café, e já pode ser encontrado em algumas livrarias da região.

Título: Do Samba ao Funk do Jorjão – Ritmos, mitos e ledos enganos no enredo de um
samba chamado Brasil
Autor: Spirito
Editora: Sesc
381 páginas
Coleção Incubadora Cultural

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